Seu Migué costumava acordar cedinho
Fumar um cachimbinho
E tomar o seu café
Seu José
Lavorava de noite
Sempre com seu acoite
Preso na cintura
Pra quando aparecer qualquer criatura,
Ele poder açoitar
Dona Felisbina
Com muitas rugas no rosto
E alma de menina
Preparava o angu, cará e mungunzá
Pro Seu Migué poder almoçar
Vejam só que mocidade
Encontramos na alma de velhinhos dessa idade
Falam a filosofia da terra
A filosofia da guerra
Da luta de todo santo dia
Rezam a reza dos céus
A reza de Deus
Que às vezes penso que os esqueceu
Mas de dentro dos sulcos das suas rugas
Brotam a fé mais pura
E dos sulcos arados na terra
Brotam a esperança pura
De que um dia, se Deus quiser,
Germinará o amor e toda sua doçura
E que esqueçamos de toda essa loucura
Vivida pelos que não têm rugas na pele
Mas que têm sulcos profundos na alma
sexta-feira, 18 de maio de 2007
terça-feira, 1 de maio de 2007
Por esses dias, avistei um chato de galochas
Sem eira nem beira
Que fazia tudo nas coxas
Lá onde o Judas perdeu as botas
Que não eram galochas como as do chato
Depois de gastar toda sola
E de andar lá pras bandas de onde o vento faz a curva
Ofereceu-me, como assim de presente,
Aquele calçado, usado, surrado
Com aquela catingueira de queijo
Eu agradeci meio acanhado
Porque como se diz
Cavalo dado não se olha o dente
Sem eira nem beira
Que fazia tudo nas coxas
Lá onde o Judas perdeu as botas
Que não eram galochas como as do chato
Depois de gastar toda sola
E de andar lá pras bandas de onde o vento faz a curva
Ofereceu-me, como assim de presente,
Aquele calçado, usado, surrado
Com aquela catingueira de queijo
Eu agradeci meio acanhado
Porque como se diz
Cavalo dado não se olha o dente
sábado, 28 de abril de 2007
terça-feira, 24 de abril de 2007
segunda-feira, 23 de abril de 2007
tentei fazer uma poesia
desejos, intentos, desígnios
já são vinte e dois
e vou tentando
até agora nem chico
torquato ou pessoa
tentando como quem vive à toa
na estante, livros, vinis e uma esperança
no coração, uma sensação e uma criança
não obstante, bateria e alto-falante
só pra mim, no meu quarto, meu momento
num sonho, num sopro, de uma vez
se eu ainda não sei, ainda tento
desejos, intentos, desígnios
já são vinte e dois
e vou tentando
até agora nem chico
torquato ou pessoa
tentando como quem vive à toa
na estante, livros, vinis e uma esperança
no coração, uma sensação e uma criança
não obstante, bateria e alto-falante
só pra mim, no meu quarto, meu momento
num sonho, num sopro, de uma vez
se eu ainda não sei, ainda tento
não dá.
quando não consigo dormir
chega a cansar ficar deitado na cama.
me consome o fato de algo me consumir
pra não me deixar dormir.
daí eu levanto, bebo água, abro a geladeira
pego dois ovos e cozinho-os.
como pão, azeite e sal e penso muito
na vida. penso bem, na tranquilidade
assustadora de barulhinhos na madrugada.
quando não consigo dormir
chega a cansar ficar deitado na cama.
me consome o fato de algo me consumir
pra não me deixar dormir.
daí eu levanto, bebo água, abro a geladeira
pego dois ovos e cozinho-os.
como pão, azeite e sal e penso muito
na vida. penso bem, na tranquilidade
assustadora de barulhinhos na madrugada.
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